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Gestão de Indicadores

“O que não se mede, não se gerencia.” Um indicador transforma a pergunta vaga “como estamos indo?” num número com meta, acompanhado no tempo — que acende quando algo sai do rumo. E o desvio vira ação de melhoria.

Numerador ÷ denominador × metaPré · analítica · pós · gestãoTendência & benchmarkISO 15189 · PALC 2025

01A ideia em 30 segundos

Olhe o painel do carro: cada agulha resume um estado complexo num número simples, com uma faixa esperada — você só age quando ela sai dela. Indicador é a agulha do laboratório: pega dado bruto, aplica uma fórmula, compara com uma metae mostra, num relance, se o processo está saudável.

Dado bruto1.000 coletas · 30 recoletasFórmula + meta30/1000 = 3% · meta ≤ 2%3% ▲acima da meta → agir
Um indicador = dado bruto + fórmula (numerador/denominador) + meta. Sem fórmula, é dado solto; sem meta, não dá para dizer se é bom ou ruim.

Guarde: indicador não é para “ter dashboard bonito”. É para tomar decisão — se ninguém age quando ele sai da meta, é enfeite. O valor está na ação, não no gráfico. ISO 15189 e PALC 2025 exigem indicadores medidos, analisados e levados à análise crítica.

02A anatomia de um indicador — a ficha

Antes de medir, cada indicador precisa de uma ficha que o define sem ambiguidade — é o que separa um indicador sério de um número inventado.

CampoO que éExemplo (taxa de recoleta)
Nome & objetivoo que mede e por quêRecoleta — qualidade da coleta
Fórmulanumerador ÷ denominadornº recoletas ÷ nº coletas × 100
Unidade%, tempo, contagem%
Meta & limiteo alvo e o inaceitávelmeta ≤ 2% · alerta > 3%
Fonte de dadosde onde vem (ideal: automático)módulo de coleta do sistema
Frequênciade quanto em quanto tempomensal
Responsávelquem responde por eleCoordenador da coleta
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Cuidado com o denominador: “30 recoletas” assusta ou tranquiliza conforme o total. 30 em 1.000 é 3%; 30 em 10.000 é 0,3%. Indicador sem denominador claro engana — sempre defina os dois.

03Tipos de indicador — cobrindo todo o processo

Um bom conjunto cobre o laboratório de ponta a ponta. A forma clássica é organizar por fase:

Pré-analíticarecoletaamostra rejeitadaerro de identificaçãotempo de coletaAnalíticaCQ reprovadoretrabalhoTAT analíticocalibração no prazoPós-analíticaTAT totallaudo retificadoentrega no prazovalor crítico avisadoGestão & satisfaçãoreclamaçõessatisfação (NPS)produtividadecusto / retrabalho
O TAT (turnaround time — tempo do pedido ao laudo) é o indicador-rei. Outra leitura: indicador de processo (o meio) × de resultado (o fim).

04Quem faz o quê

PapelNo processo de indicadores
Gestor da Qualidadedefine os indicadores e as fichas, mantém as metas, consolida e apresenta na análise crítica.
Donos de processorespondem pelos indicadores das suas áreas e agem nos desvios.
O sistema / fonte do dadode onde o número sai — o ideal é automático (do próprio LIS); coleta manual atrasa e distorce.
Alta gestãodefine metas e prioridades; usa os indicadores na análise crítica e nas decisões.
Auditorconfere se os indicadores são medidos, analisados e tratados — e se o desvio gerou ação.
Provedor de benchmarkIFCC, SBPC/ML, PNCQ — a régua externa para comparar com o mercado.

05O processo — o ciclo de medição

Um PDCA: define → mede → calcula → analisa → age → comunica → e revisa os próprios indicadores.

1 · Definirficha + meta2 · Medircoletar o dado3 · Calcularnum ÷ den4 · Analisarvs meta / tendência5 · Agirmelhoria / NC6 · Comunicarpainel + análise7 · Revisarainda serve?fora da meta → NC
Quando o indicador estoura a meta, abre-se uma ação de melhoria ou uma não conformidade — o indicador é uma das grandes portas de entrada de melhoria.
  1. 1Definir: escrever a ficha (objetivo, fórmula, meta, fonte, frequência, responsável). Poucos indicadores bons valem mais que dezenas inúteis.
  2. 2Medir: coletar o dado — de preferência automaticamente do sistema, sem planilha manual.
  3. 3Calcular: aplicar a fórmula (num ÷ den) e consolidar o valor do período.
  4. 4Analisar: comparar com a meta, ler a tendência e o benchmark; diagnosticar o desvio.
  5. 5Agir: fora da meta → ação de melhoria ou NC (causa raiz + ação). Dentro → manter e observar.
  6. 6Comunicar: publicar no painel e levar à análise crítica — o número só decide se for visto.
  7. 7Revisar: este indicador ainda mede o que importa? Aposente os inúteis, ajuste metas, crie novos.

06Como ler um indicador

Um valor isolado diz pouco. O que importa é a série no tempo contra a meta — e a tendência.

meta ≤ 2%janfevmarabrmaijunjulacima da metatendência de melhora ↓
A ação de melhoria puxou a recoleta abaixo da meta e a tendência confirma que funcionou. Um ponto vermelho isolado pode ser ruído; a direção da série é o que conta.

Bom indicador é acionável: se você não consegue dizer quem faria o quê quando ele piora, não está pronto. E cuidado com o gaming: meta mal desenhada faz a equipe melhorar o número sem melhorar o processo.

07Atividades, subatividades e inputs/outputs

A. Definir o indicador

Inputs

  • Objetivos / estratégia
  • Requisitos (PALC/ISO)
  • Processos e riscos

Atividade + subatividades

  • Escolher o que medir
  • Escrever a ficha (fórmula, meta)
  • Definir fonte e responsável

Outputs

  • Ficha do indicador
  • Meta e limites definidos

B. Medir e calcular

Inputs

  • Dados brutos (do sistema)
  • Ficha (fórmula)
  • Período

Atividade + subatividades

  • Extrair numerador e denominador
  • Aplicar a fórmula
  • Consolidar o valor do período

Outputs

  • Valor do indicador
  • Ponto novo na série

C. Analisar e agir

Inputs

  • Valor + meta + histórico
  • Benchmark externo

Atividade + subatividades

  • Comparar com a meta
  • Ler a tendência
  • Abrir ação/NC se fora

Outputs

  • Diagnóstico do desvio
  • Ação de melhoria / NC

D. Comunicar e revisar

Inputs

  • Painel de indicadores
  • Resultados do período

Atividade + subatividades

  • Publicar o painel
  • Levar à análise crítica
  • Revisar fichas/metas

Outputs

  • Decisões da direção
  • Conjunto de indicadores atualizado

08Como isso vira módulo no Lisya

Há um painel inicial (/indicadores). A gestão formal — ficha, meta por laboratório, histórico e cálculo automático a partir de dado estruturado — é o que falta. O próprio indicador é um dos cadastros fundacionais que ainda não existem: veja onde ele entra na ordem de execução dos cadastros (um laboratório novo hoje nasce sem catálogo nenhum).

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O pré-requisito invisível: alguns indicadores (recoleta, rejeição por motivo) só ficam mensuráveis se o dado nascer estruturado — ex.: o motivo de rejeição como categoria, não texto livre. Dar entidade ao dado é a “onda 0”: o gargalo costuma ser modelagem, não análise. Ver IA na gestão da qualidade.

Painel inicial/indicadoresjá existeReúne um conjunto de KPIs num lugar só — a base para evoluir.
Dados nativos/cqi · /nao-conformidadesjá existeNC, estoque, competências e outros já são contados da operação — prontos para virar indicador.
Motor de ação (CAPA)/cq/externojá existeO desvio de indicador reaproveita o mesmo fluxo de causa/ação das NCs.
Ficha do indicadornovonovoCadastro: nome, fórmula (num/den), unidade, polaridade (maior é melhor?), meta, periodicidade, responsável, processo — a entidade Indicador que ainda não existe.
Dado estruturado na origemnovointegrarGuardar categorias (motivo de rejeição etc.) em vez de texto livre — o que torna o indicador contável.
Cálculo automático + históriconovonovoPuxar num/den dos módulos e guardar a série no tempo, por laboratório.
Fora da meta → ação/NCnovointegrarDesvio abre ação de melhoria ou NC (CAPA), com rastreio de volta ao indicador.