Guia do processo · qualidade laboratorial

Controle Interno da Qualidade

Todo dia, antes de entregar um resultado a um paciente, o laboratório precisa provar que suas máquinas estão medindo certo. Este guia explica como esse processo funciona — sem jargão — com foco especial na etapa de preparação: o que precisa estar pronto antes de a rotina começar.

Material → Lote → Nível → AnalitoBula & métodoRegras de WestgardVínculo com o equipamento

01A ideia em 30 segundos

Imagine uma balança de padaria. Antes de vender pão o dia inteiro, você coloca sobre ela um peso conhecido de 1 kg. Se marcar 1 kg, a balança é confiável e pode pesar os clientes. Se marcar 1,2 kg, você conserta antes de cobrar alguém a mais.

O laboratório faz o mesmo. O “peso conhecido” é um líquido especial — o material de controle — com valor já sabido (ex.: “esta amostra tem glicose ≈ 90 mg/dL”). Todo dia mede-se esse material na máquina. Se bate com o esperado, o sistema está “sob controle” e os exames dos pacientes seguem. Se não bate, para-se, investiga-se e corrige-se antes de liberar laudos.

Guarde esta frase: o CIQ não avalia o paciente — ele avalia se o sistema de medição (máquina + reagente + método) está funcionando, para que o resultado do paciente seja confiável.

O resultado de cada medição do controle vira um ponto num gráfico — a carta de Levey-Jennings. Enquanto os pontos ficam perto do centro, tudo bem; quando saltam para longe, o gráfico “acende”. Toda a preparação existe para que esse gráfico signifique alguma coisa:

+3 DP+2 DP+1 DP−1 DP−2 DP−3 DPFora de controle!passou de +3 DP · regra 1-3s→ dias / corridas (uma medição do controle por dia)
Cada ponto é uma medição do controle. Verde (±1 DP) é ideal; amarelo (±2 DP) é atenção; vermelho (além de ±3 DP) reprova. O último ponto disparou a regra 1-3s.

O foco deste guia

02A etapa de Preparação

Preparação é tudo o que precisa estar pronto antes de a rotina diária começar. Sem ela, não existe alvo para comparar, nem regra para acender o alarme. É uma etapa feita normalmente uma vez por lote de material de controle (e revista quando entra um lote novo, um reagente novo ou um equipamento novo).

O que é, quem faz e quando

SubatividadeQuem fazQuando
Comprar / receber o material de controleCompras + Gestor da QualidadeAo repor estoque / novo lote
Cadastrar material → lote → nívelGestor da QualidadeQuando o lote chega
Definir o alvo por analito (média/DP da bula)Gestor da Qualidade / RTAntes da 1ª corrida do lote
Informar o erro tolerado (TEa) e a unidadeRT / Gestor da QualidadeNa configuração do alvo
Escolher as regras de WestgardRT (com sugestão do Sigma)Na configuração do alvo
Vincular o alvo ao equipamentoGestor da QualidadeNa configuração do alvo
Validar o lote novo (rodar em paralelo)RTNa virada de lote

Quem fornece o material de controle?

O material de controle é um produto industrializado, comprado de fabricantes especializados — é uma amostra biológica (soro, urina, sangue) estabilizada, com concentrações conhecidas e estáveis por meses. No Brasil e no mundo, os fornecedores típicos são Bio-Rad, Randox, Thermo Fisher, Controllab, entre outros. Alguns provedores de controle também operam programas de comparação entre laboratórios (peer group) — mas isso já é o CEQ (controle externo), assunto de outra página.

Fabricante do controle

Produz o material e emite a bula com os valores de referência.

Fabricante do reagente/equipamento

Define o método e influencia o valor esperado por método.

O próprio laboratório

Após ≥20 medições, calcula seus próprios média/DP (regra CLSI).

03Material, lote, nível, analito — o que são e como se relacionam

Esta é a espinha dorsal da preparação. Os quatro termos parecem sinônimos, mas cada um tem um papel. Eles se encaixam numa cadeia, do mais geral (o produto) ao mais específico (a medição de um dia):

Materialfabricante / matriz1..NLotevalidade + bula1..NNívelN1 / N2 / N31..NAlvonível×analito×equip.1..NCorridavalor datado
Cada equipamento tem sua própria carta — por isso o alvo é a combinação nível × analito × equipamento. A corrida é a medição datada que vira ponto na carta.
Material de controle
O produto em si — ex.: “soro-controle de bioquímica, marca X”. Define a matriz (soro, urina, sangue total, plasma) e o fabricante. Um material serve para muitos analitos ao mesmo tempo (um único frasco tem glicose, ureia, colesterol…).
Lote
Um fabrico específico daquele material, identificado por um número de lote e uma validade. Cada lote tem valores de referência próprios (a bula é por lote). Trocar de lote é um evento sério: os alvos mudam e o lote novo precisa ser validado.
Nível
A concentração. O mesmo lote costuma vir em 2 ou 3 níveis — ex.: N1 (valores normais) e N2 (valores patológicos/altos) — para testar a máquina em faixas diferentes do exame. Cada nível pode ter seu próprio sub-lote e validade.
Analito
A substância medida — glicose, potássio, TSH, colesterol… No Lisya o analito é o mesmo cadastro que já existe nos exames (o parâmetro do exame). Um nível de controle tem valores para vários analitos.
Alvo
O “ponto de encontro”: para um analito, num nível, num equipamento, o alvo guarda a média esperada, o desvio-padrão, a unidade, o erro tolerado (TEa) e as regras ativas. É o alvo que a corrida do dia é comparada.
Corrida
A medição do controle num dia — o valor que o técnico lança. Vira um ponto na carta e recebe o veredito (controlado, alerta, violado ou vencido).

Exemplo concreto

Material “Controllab Bioquímica” → lote NIH-3N (validade 07/2027) → nível N2 (patológico) → analito Glicose → alvo: média 250 mg/dL, DP 7, TEa 10%, regras 1-3s · 2-2s · R-4s, no equipamento Cobas c311. Hoje o técnico mede e lança 252 → cai dentro de ±1 DP → controlado.

04Bula, método e a vinculação com o equipamento

O que é a “bula” do controle

A bula (ou “certificado de valores”, value assignment sheet) é o documento que acompanha cada lote do material de controle. Nela o fabricante informa, para cada analito, o valor esperado (média) e a faixa aceitável — e, crucialmente, faz isso por método/equipamento, porque o mesmo soro pode dar números um pouco diferentes conforme a tecnologia de medição. É da bula que sai o alvo inicial no Lisya.

Alvo da bula

Valor de fábrica. Usado no começo, enquanto o laboratório não tem histórico próprio.

Média própria (CLSI)

Após ≥20 corridas, o Lisya calcula e passa a usar a média/DP do próprio laboratório — que reflete melhor a sua realidade.

O que é “método” — e quais existem

Método é a técnica físico-química que a máquina usa para medir o analito. Ele importa no CIQ porque o valor esperado e a variação natural dependem do método — por isso a bula é por método, e por isso cada equipamento tem sua própria carta. Os principais grupos de métodos em um laboratório clínico:

Espectrofotometria / colorimetria

Mede cor/absorbância após uma reação (enzimática ou cinética). Bioquímica clássica: glicose, ureia, colesterol.

Turbidimetria / nefelometria

Mede a turvação causada por complexos (proteínas específicas, PCR, imunoglobulinas).

Imunoensaios (CLIA / ECLIA / ELISA)

Usam anticorpos + sinal (quimioluminescência, fluorescência). Hormônios, marcadores, sorologia: TSH, PSA, vitamina D.

Eletroquímica (ISE / potenciometria)

Eletrodo íon-seletivo para eletrólitos: sódio, potássio, cloro.

Cromatografia (HPLC, LC-MS/MS, GC)

Separa e quantifica com alta precisão: dosagem de drogas, hormônios, toxicologia, metabólitos.

Citometria de fluxo / impedância

Conta e classifica células. Hemograma, imunofenotipagem.

Coagulometria

Mede o tempo de formação do coágulo (óptico/mecânico): TP, TTPa.

Biologia molecular (PCR / qPCR)

Detecta/quantifica ácidos nucleicos: cargas virais, painéis moleculares.

No Lisya, hoje o método é implícito no equipamento (cada equipamento roda um método). Modelar o método como campo próprio do alvo é uma evolução natural para laboratórios que rodam o mesmo analito por técnicas diferentes — está no roadmap.

A vinculação com o equipamento

Vincular o alvo a um equipamento significa dizer em qual máquina aquele controle é medido. É essencial porque cada instrumento tem seu próprio comportamento — logo, sua própria carta de controle. Se o mesmo analito roda em dois equipamentos (ex.: o principal e o de backup), existem dois alvos, um por equipamento, cada um com sua carta. Isso, além de correto, habilita a comparabilidade: confirmar que os dois aparelhos entregam o mesmo resultado para o mesmo paciente.

05As regras de Westgard — o que são e para que servem

Um ponto isolado longe do centro pode ser azar. As regras de Westgard são um conjunto de padrões estatísticos que separam ruído (variação natural) de problema real. Servem para responder, de forma objetiva e sem “achismo”: este controle reprova ou não? Cada regra é nomeada pelo padrão que detecta. Algumas reprovam na hora; uma delas é só alerta.

1-2s — alerta
Aviso amarelo: observe mais de perto (não reprova sozinha).
1-3s — reprova
Erro provável — em geral aleatório.
2-2s — reprova
Erro sistemático (a máquina deslocou).
R-4s — reprova
Sinal de imprecisão (variação grande demais).
RegraO que detectaEfeito
1-2s1 ponto além de ±2 DPAlerta
1-3s1 ponto além de ±3 DPReprova (erro aleatório)
2-2s2 pontos seguidos além de ±2 DP do mesmo ladoReprova (erro sistemático)
R-4sum ponto acima e outro abaixo, distância > 4 DPReprova (imprecisão)
4-1s4 pontos seguidos além de ±1 DP do mesmo ladoReprova (deriva)
10x10 pontos seguidos do mesmo lado da médiaReprova (viés sistemático)

Quais regras usar? O Sigma decide

Ativar todas as regras em tudo gera alarme demais (falsos positivos) e cansa a equipe. A escolha certa depende de quão robusto é o exame — medido pelo Sigma. Quanto maior o Sigma, menos regras são necessárias. O Lisya sugere o conjunto a partir do Sigma calculado do alvo.

2345inaceitávelmuitas regrasbomclasse mundialSigma = (erro tolerado − viés) ÷ variação (CV%)
Sigma = (erro tolerado − viés) ÷ variação (CV%). Sigma 6 → basta 1-3s; Sigma 3 → multirregra completa.

06TEa e metas de erro — quanto de erro a medicina tolera

O TEa (Erro Total Admissível) é o máximo de erro que um resultado pode ter e ainda assim ser clinicamente confiável — não atrapalhar a decisão do médico. É o número que dá sentido a tudo: sem saber “quanto erro é tolerável”, não dá para dizer se o exame está bom o bastante (o Sigma) nem escolher as regras de Westgard certas.

Todo resultado carrega dois tipos de erro ao mesmo tempo: o viés(o quanto ele erra sempre para o mesmo lado — inexatidão) e a imprecisão (o vaivém aleatório, medido pelo CV%). O TEa é o “orçamento” que esses dois têm de caber dentro:

orçamento do erro admissível (TEa = 100%)TEa|viés|1,65 × CV%folga → Sigma
O erro total precisa caber no TEa: TE = |viés| + 1,65 × CV% (95%). Quanto mais folga sobra, maior o Sigma — e menos controle é preciso.

De onde sai o TEa (a hierarquia das fontes)

Não se “inventa” o TEa: escolhe-se de uma fonte reconhecida, de preferência nesta ordem, e documenta-se qual foi:

  1. 1Variação biológica: a referência “ouro” — metas derivadas de quanto o analito varia no próprio corpo (bases EFLM/Ricos). Tem três níveis: mínima, desejável e ótima.
  2. 2Limites regulatórios / de proficiência: metas de programas e normas: CLIA 88 (EUA), RCPA (Austrália), RiliBÄK (Alemanha) — práticas e amplamente usadas.
  3. 3Estado da arte / consenso: o que a melhor tecnologia atual entrega, quando não há meta biológica útil.

Exemplos de TEa (ilustrativos)

AnalitoTEa típicoFonte comum
Glicose≈ 10%CLIA / biológica
Colesterol total≈ 9%CLIA
Creatinina≈ 11%CLIA
Potássio≈ 6% (ou ±0,5 mmol/L)CLIA
Sódio≈ 4%CLIA
TSH≈ 20%biológica

Valores apenas para ilustrar a ordem de grandeza — cada laboratório define e documenta os seus. Quem define: RT / Gestor da Qualidade, por analito. No Lisya, o TEa é um campo do alvo e é o que habilita o Sigma e a sugestão de regras.

07Validação de lote novo (crossover)

Cada lote de material de controle tem valores próprios — a bula é por lote. Por isso trocar de lote não é só “continuar medindo”: se você simplesmente jogar os pontos do lote novo na carta antiga, o gráfico “pula” de degrau por um motivo artificial (o lote mudou), não porque a máquina piorou. A validação de lote novo (ou crossover) evita isso.

janela em paraleloviradalote atuallote novo
Rodar o lote atual e o lote novo em paralelo por alguns dias estabelece a média/DP do lote novo antes de virar a chave — a carta continua sem degrau falso.
  1. 1Adquirir o lote novo com antecedência: antes de o lote atual acabar, para haver tempo de rodar em paralelo.
  2. 2Rodar em paralelo: medir os dois lotes juntos por vários dias (protocolos CLSI sugerem uma quantidade mínima de medições).
  3. 3Estabelecer os alvos do lote novo: calcular a média/DP do lote novo a partir dessas medições (preferindo os valores do próprio laboratório aos da bula).
  4. 4Conferir a diferença entre lotes: se o deslocamento entre lotes for aceitável, virar a chave; senão, investigar antes.
  5. 5Virar a chave: ativar o lote novo — que começa com a sua própria carta, do zero.
!

Erro comum: arrastar a carta do lote antigo para o lote novo. Toda troca de lote é uma nova linha de base — a carta recomeça.

No Lisya: um lote novo é um novo Lote → Nível → Alvo, e a média própria se recalcula a partir das corridas do lote novo (≥20). Uma tela dedicada de crossover (comparar lote atual × novo lado a lado) está no roadmap.

08Incerteza de medição

Nenhum resultado é um ponto exato — todo número medido vem com uma margem. A incerteza de medição (U) é essa margem: em vez de “glicose = 100”, o mais honesto é “glicose = 100 ± U”, com uma confiança estatística (normalmente 95%). A ISO 15189pede que o laboratório estime a incerteza dos seus exames quantitativos e a informe quando solicitada.

limite de decisãoresultado± U (95%)a faixa do resultado quase toca o limite → a incerteza muda a leitura clínica
Um resultado é uma faixa, não um ponto. Perto de um limite de decisão, a incerteza muda a interpretação — por isso ela importa.

Para que serve

  • • Interpretar resultados perto de limites de decisão.
  • • Comparar exames seriados do mesmo paciente (o resultado mudou de verdade?).
  • • Cumprir a ISO 15189.

De onde ela vem

  • • Principalmente da imprecisão de longo prazo — o DP do controle interno ao longo do tempo.
  • • Mais a incerteza do calibrador e do viés.
  • • Combinadas em u; a incerteza expandida U = k·u (k=2 ≈ 95%).

O elo com o CIQ: a maior fonte da incerteza é justamente o desvio-padrão do controle interno acumulado. Ou seja, os dados que você já gera todo dia no CIQ alimentam a estimativa de incerteza. No Lisya o dado já existe (corridas → DP); calcular e exibir a incerteza por analito é uma evolução natural.

09O que precisa estar cadastrado antes — e quem cadastra

A preparação só flui se algumas informações já existirem no sistema. Abaixo, cada peça: o que é, de onde vem, quem cadastra e onde no Lisya.

InformaçãoDe onde vemQuem cadastraOnde no Lisya
Analito (parâmetro do exame)Catálogo de exames do laboratórioGestor / RT/cadastros de exames · /cqi/analitos
EquipamentoPatrimônio + fabricante do instrumentoGestor da Qualidade/cqi/equipamentos · /calibragem
Unidade de medidaBula / método do analitoGestor / RTno alvo (Controles)
Erro tolerado (TEa)Metas de erro (CLIA, RCPA, metas biológicas)RT / Gestor da Qualidadeno alvo (Controles)
Material → Lote → NívelBula do material compradoGestor da Qualidade/cqi/controles
Alvo (média/DP da bula, regras)Bula do lote + SigmaGestor da Qualidade / RT/cqi/controles
Catálogo de causas de rejeiçãoBoas práticas do laboratórioGestor da Qualidade/cqi/causas

De onde vêm as informações — em resumo

  • Bula do lote: média, DP e faixa aceitável por analito × método — a fonte do alvo inicial e da unidade.
  • Metas de erro (TEa): literatura e normas: CLIA 88, RCPA (Austrália), metas de variação biológica (EFLM/Ricos). Definem o quanto de erro a medicina tolera.
  • Fabricante do equipamento/reagente: define o método e ajuda a interpretar os valores por tecnologia.
  • O próprio laboratório (CLSI): após ≥20 corridas, gera a média/DP próprios — que substituem a bula como alvo.
  • Catálogo interno: as causas de rejeição típicas do laboratório, para fechar o loop quando um controle reprova.

10Como isso vira tela no Lisya

Boa parte da preparação já existe no produto; o que falta está claramente marcado. Este é o mapa de conceito → tela.

Cadastrar material → lote → nível → alvo/cqi/controlesjá existeCadastro completo da hierarquia, com TEa, regras, tipo (quanti/quali) e vínculo ao equipamento.
Analitos monitorados/cqi/analitosjá existeReaproveita o parâmetro do exame — sem duplicar catálogo.
Equipamentos/cqi/equipamentosjá existeCompartilhado com calibração; o alvo aponta para um equipamento.
Lançar a bateria do dia/cqi/lancamentojá existeGrade analito × nível por equipamento, com veredito ao vivo (usa o alvo preparado).
Carta de LJ + Westgard/Sigma/cqi/resultadosjá existeMonitor por analito — a carta que a preparação torna possível.
Validar / tratar reprovação/cqi/aprovacaojá existeAceite com trilha + causa/ação corretiva.
Método como campo do alvonovoevoluçãoPara labs que rodam o mesmo analito por técnicas diferentes.
Importar a bula (preencher o alvo)novoevoluçãoPuxar média/DP/faixa da bula em vez de digitar — liga com a leitura de bula do controle externo.

Quer ver o CIQ funcionando de ponta a ponta?

Da preparação do lote ao lançamento da bateria do dia, com carta de Levey-Jennings, Westgard e Sigma — tudo dentro do Lisya.