Hub analítico · medição

Indicadores do analítico

Quinze indicadores que dizem se o processamento analítico está funcionando. Nenhum deles vem com meta neste guia — e isso é deliberado: a meta depende do mix de exames e do perfil da operação, e número copiado de outra realidade é pior que nenhum número.

15 indicadoreso TAT decompostoos pares que se corrigemsem metas copiadas

01O TAT decomposto

TATturnaround time, tempo de resposta — é o indicador mais citado e o mais inútil quando medido inteiro, porque um TAT alto não diz onde o tempo foi gasto. Decompô-lo é o que o torna acionável.

TAT TOTAL — da coleta ao acesso pelo destinatáriocoleta → chegadatriagemfilaexecuçãoverificaçãoliberaçãoentregaOs dois trechos em rosa são os que este hub cobre — e frequentemente não são os maiores do total.Um TAT alto medido inteiro não aponta para ninguém, porque cada trecho tem dono diferente.Medir da coleta, e não da chegada, é o que torna o indicador honesto para quem espera o resultado.
O TAT total e seus trechos. Cada trecho tem dono diferente — e é por isso que o número agregado nunca aponta para ninguém. Os dois trechos em rosa são os que este hub cobre, e frequentemente não são os maiores.
TrechoDe quando a quandoDono
Pré-analítico externoda coleta à chegada no laboratóriocoleta e transporte
Triagemda chegada à liberação para o setortriagem
Espera na filada chegada ao setor ao início da execuçãoplanejamento de capacidade
Execuçãodo início da medição ao resultado brutoo setor técnico
Verificaçãodo resultado bruto ao conferidoa bancada — ou a regra
Validação e liberaçãodo conferido ao liberadoquem valida clinicamente
Entregada liberação ao acesso pelo destinatárioentrega e portal

Guarde: medir o TAT a partir da coleta e não da chegada é o que torna o indicador honesto do ponto de vista de quem espera o resultado. É também o que expõe o trecho que ninguém quer medir — o transporte — e a razão pela qual muitos laboratórios preferem começar a contagem na recepção.

02Produção

IndicadorO que revelaComo é enganado
Exames por hora, por equipamentocapacidade real, diferente da nominalcontando repetições como produção
Fila média e fila máxima por setoronde o gargalo está, e quandoa média esconde o pico; olhar as duas
Ocupação dos equipamentosse o balanceamento está funcionandoocupação alta pode ser fila, não eficiência
Tempo médio em cada estadoonde os itens ficam paradosa média entre um item de 2 min e outro de 6 h não descreve nenhum dos dois
Itens fora de prazo, em abertoo que está atrasado agora, não no mês passadomedir só no fechamento do mês, quando já não dá para agir
A

A distinção entre indicador de gestão e indicador de operação: “quantos itens estão fora de prazo agora” é um indicador de operação: ele existe para alguém agir hoje. “qual foi o TAT médio do mês” é de gestão: existe para decidir investimento. Sistemas costumam entregar só o segundo tipo — o que produz relatório bonito e nenhuma mudança de comportamento, porque quando o número aparece a oportunidade de agir já passou.

03Qualidade

IndicadorO que revela
Taxa de repetição, por analito e por equipamentoproblema de método, de equipamento ou de amostra — dependendo de como se distribui
Taxa de amostras com interferente, por origemqualidade da coleta, medida objetivamente e sem custo adicional
Retificações, e sobre quais resultadoso que escapou da verificação, e onde a regra está frouxa
Resultados críticos: tempo até a comunicação efetivase o ciclo do crítico fecha, e em quanto tempo
Críticos não comunicados, em abertoo indicador mais importante da lista, e o menos publicado
Resultados liberados em corrida com CQ reprovadoexiste? é zero? ninguém sabe? — a resposta descreve a maturidade do sistema
!

A pergunta mais reveladora: “quantos críticos ficaram sem comunicação comprovada no último mês?”. Se a resposta for “não temos esse número”, então a resposta real é que não se sabe — e não que é zero. A ausência do indicador é, ela mesma, o achado.

04Automação

IndicadorO que revela
Taxa de liberação automáticaquanto trabalho a regra tirou da fila humana
Taxa de resultados digitados à mãoquanto da produção não passa pela integração — é um indicador de risco
Retenções por regra, e quantas foram revertidas sem alteraçãoregras apertadas demais, gerando trabalho sem valor
Mensagens em quarentena, em abertoresultados de paciente que não encontraram destino
Tempo sem contato por equipamentointegração caída que ninguém notou

Guarde: a taxa de digitação manual é o indicador mais subestimado desta lista. Ela mede, de uma vez, cobertura de integração, disponibilidade de equipamento e exposição a erro de transcrição. Um número que sobe sem explicação é quase sempre uma integração que caiu e virou rotina.

05Os pares que se corrigem

Vários indicadores daqui, sozinhos, criam o incentivo errado. Em pares, eles se seguram.

liberação automáticasozinho: afrouxa a regrao freio: retificaçõesTAT médiosozinho: libera sem conferiro freio: retificações e retençõesrepetição baixasozinho: deixa de repetiro freio: incoerências depoisprodução por horasozinho: corta conferênciao freio: críticos não comunicadosPublicar o indicador da esquerda sem o da direita é convidar a otimização do número em vez do processo.
Quatro pares. Perseguir só o indicador da esquerda produz exatamente a distorção descrita na coluna do meio — e o da direita é o freio. Publicar um sem o outro é convidar a otimização do número em vez do processo.
IndicadorSe perseguido sozinhoO par que corrige
Taxa de liberação automáticaafrouxa-se a regra até o número ficar bonitoretificações sobre autoliberados
TAT médiolibera-se sem conferirretificações e retenções
Taxa de repetição baixadeixa-se de repetir o que deveriaretificações e incoerências detectadas depois
Produção por horacorta-se conferência para render maiscríticos não comunicados e retificações

06Como definir a meta

Este guia não publica metas porque nenhuma delas é transferível. Mas o método para chegar à sua é.

Medir antes de metar

Três meses de medição honesta valem mais que uma meta escolhida no primeiro dia. Sem linha de base, a meta é um palpite com aparência de compromisso.

Separar por analito e por setor

A média do laboratório não é meta de ninguém. O que se gerencia é o analito e o setor, onde a variação é real.

Definir com quem responde

A meta de um indicador de liberação é do responsável técnico. Meta imposta de fora vira número perseguido, não processo melhorado.

Revisar com o par

Toda revisão de meta olha o indicador e o seu par. Melhorar um às custas do outro não é melhoria.

A

O que é razoável comparar com o mercado: comparar a existência dos indicadores, não os seus valores. Se um laboratório sabe quantos críticos ficaram sem comunicação e outro não sabe, essa é uma diferença real e comparável. Já o valor do TAT de dois laboratórios com mix de exames diferentes não é comparável, e tratá-lo como se fosse leva a decisões ruins nos dois.

Resumo do guia: o TAT só serve decomposto, e medido da coleta; indicador de operação e de gestão são coisas diferentes, e falta o primeiro; críticos não comunicados em aberto é o número mais importante e o menos publicado; digitação manual é o mais subestimado; e todo indicador de velocidade precisa de um par de qualidade. Com o mapa completo, dá para dizer onde o Lisya está.

Ver onde o Lisya está neste mapa →