Hub analítico · exceções

Catálogo de exceções

A rotina bem-comportada precisa de pouco software. O valor de um sistema aparece nas exceções — e a maior parte delas não é exótica: é diária, previsível e, ainda assim, quase nunca modelada. Aqui estão dezesseis, com o que cada uma exige do sistema.

16 exceçõesa dos vinte minutoso que cada uma exigea pior de todas

01Exceções da amostra

ExceçãoO que o operador precisa decidirO que o sistema precisa oferecer
Volume insuficiente para todos os testesquais testes fazer com o que háa ordem de prioridade dos testes por amostra, definida no cadastro — não no improviso
Amostra coaguladarefazer ou recoletarregistrar o motivo, cancelar o que não pode ser feito e abrir o pedido de recoleta
Amostra hemolisadaquais analitos ainda valem naquela amostraa regra por interferente × analito, para não invalidar o que é válido
Amostra trocada, suspeitaparar tudo daquele par de pacientesbloqueio imediato, trilha do que já saiu e caminho de investigação
Amostra fora da estabilidadeusar com ressalva ou recusaro prazo por material × analito e o cálculo desde a coleta, não desde a chegada
Amostra que não chegouo pedido existe e a amostra nãodiferenciar “não coletada” de “perdida em trânsito” — são problemas diferentes
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O volume insuficiente é uma decisão clínica disfarçada de logística: escolher qual teste fazer com material limitado é priorizar informação clínica. Deixar essa escolha para quem está na bancada, sem critério escrito, é transferir uma decisão médica para o improviso. A ordem de prioridade dos testes pertence ao cadastro e é definida pelo responsável técnico.

02Exceções do equipamento

ExceçãoO que o operador precisa decidirO que o sistema precisa oferecer
Equipamento parou no meio da corridao que migra para o backup e o que esperaredistribuir a fila e reconduzir o que já tinha sido enviado
Reagente acabouparar aquele analito ou improvisarconsumo por teste, alerta antes de acabar, e bloqueio de roteamento para o que não tem insumo
Calibração vencidaliberar ou pararestado de calibração por analito, legível pela regra de liberação
Integração caiudigitar à mão ou esperardigitação manual com marcação de origem e alerta por tempo sem contato
Resultado chegou sem amostra correspondenteachar de quem éfila de quarentena visível, com o texto cru preservado

Guarde: a digitação manual em contingência precisa ficar marcada como manual. Não é uma questão de desconfiança: é o que permite, depois, distinguir um erro de transcrição de um erro de medição — e medir quanto da produção passou por digitação, que é um indicador de risco em si.

03Exceções do resultado

ExceçãoO que o operador precisa decidirO que o sistema precisa oferecer
Valor fisiologicamente impossívelinvestigar antes de reportarfaixa de plausibilidade por analito e retenção automática
Dois analitos incoerentes entre siqual dos dois está erradoregra de coerência entre parâmetros da mesma amostra
Valor crítico fora do horário comerciala quem ligar agoralista de contato por turno e escalonamento, não um telefone só
Resultado chegou depois do laudo liberadogerar versão ou não reportarnunca sobrescrever: versão nova e decisão humana registrada
Paciente com o mesmo exame duas vezes no diaos dois valem? qual é o do laudo?os dois preservados, com hora, e a política de qual reporta

04Exceções do processo

O operador saiu no meio

O trabalho parcialmente feito precisa ser recuperável por outra pessoa, com registro de quem fez o quê. Sessão perdida não pode significar decisão perdida.

Dois operadores no mesmo resultado

Precisa haver um vencedor previsível, e o outro tem de ver o que aconteceu — não descobrir por cima do próprio trabalho.

Pedido cancelado com exame já em execução

O exame roda ou para? Se rodou, quem paga? O cancelamento precisa saber o estado físico do trabalho.

Exame acrescentado depois da coleta

Há material? Está na estabilidade? É a mesma pergunta do reflexo, chegando pela recepção em vez da regra.

A

O padrão que atravessa as dezesseis: em quinze das dezesseis exceções, o que o sistema precisa oferecer não é uma tela nova: é um dado que ele não guarda. Prazo de estabilidade por material, ordem de prioridade dos testes, consumo de reagente por teste, estado de calibração, faixa de plausibilidade, contato por turno. A conclusão prática é desconfortável e útil: automatizar exceção é, quase sempre, trabalho de modelagem — e as telas são a parte fácil.

05A pior de todas

A exceção que ninguém percebeu.

As quinze anteriores têm em comum uma virtude: alguém nota. O tubo está coagulado, o equipamento para, o número é absurdo. A décima sexta não tem sintoma — e é a única com potencial de sair no laudo sem qualquer atrito.

PRODUZ ATRITOalguém nota — e por isso é tratadotubo coaguladoequipamento parouvalor absurdoreagente acabouintegração caiuNÃO PRODUZ SINTOMAninguém nota — o laudo sai sem atritopaciente errado, valor normaldiluição não aplicadaunidade mal mapeadaCQ reprovado do períodoflag não capturadaA coluna da direita é a razão de existir da automação: a atenção humana, por definição, não encontra o que não tem sintoma.E cada linha dela é resolvida por um mecanismo que já apareceu neste hub.
As duas classes de exceção. À esquerda, o que produz atrito e por isso é tratado. À direita, o que passa liso — e por isso precisa de detecção automática, já que a atenção humana, por definição, não vai encontrá-lo.
Exceção sem sintomaPor que passa lisoO que a detecta
Resultado plausível do paciente erradoo número é normal e a amostra parece certadelta check — é o único mecanismo que enxerga isso
Diluição não aplicada ao cálculoo valor resultante cai na faixa normalexigir o fator como campo obrigatório quando houve diluição
Unidade mal mapeada na integraçãoo número é plausível na grandeza erradaconferência unidade por unidade na implantação, e faixa de plausibilidade
Resultado de corrida com CQ reprovadonada no resultado indica issovínculo resultado ↔ corrida, legível pela regra
Flag ignorada porque não foi capturadao resultado parece completoguardar as flags brutas e torná-las avaliáveis
Exame do pedido que nunca foi executadoos outros saíram, e o laudo parece prontoconferir a completude do pedido antes de liberar

Guarde: note que cada linha da tabela acima é resolvida por um mecanismo que já apareceu neste hub: delta check, fator de diluição persistido, de-para conferido, vínculo com a corrida, flags avaliáveis, completude do pedido. Não é coincidência — é o argumento do hub inteiro. As exceções sem sintoma são exatamente aquelas que só a automação encontra, e é para elas que ela existe.

Resumo do guia: dezesseis exceções diárias, quinze delas resolvidas por um dado que o sistema não guarda — e não por uma tela; volume insuficiente é decisão clínica disfarçada de logística; digitação manual precisa ficar marcada; e a pior exceção é a que não produz sintoma, detectável só por mecanismo automático. Passada a bancada, o resultado encontra a validação clínica.

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