Hub de coleta · produto
Visão de produto
Todo o processo descrito nos guias anteriores cabe em dez módulos e quinze telas, apoiados por um conjunto de cadastros mestres e um motor de regras. Este guia fecha o hub com esse desenho — e com o retrato medido de onde o Lisya está nele, que é bem diferente do retrato do hub de apoio laboratorial.
01Arquitetura funcional
Quatro camadas, com os cadastros na base e a gestão no topo. A camada do meio — a operação — é a que o usuário vê; as outras três são o que faz ela funcionar.
02Os dez módulos
Cadastros mestres da coleta
MVPProblema: tubo, material e motivo de rejeição vivem como texto livre, e nada pode ser calculado nem contado.
Usuários: responsável técnico, qualidade.
- tipos de recipiente com aditivo, volume nominal e ordem
- tipos de material biológico
- motivos de rejeição e de recoleta, em lista fechada
- setores e destinos
Dados: recipiente, material, motivo, setor.
Regras de coleta por exame
MVPProblema: o que o exame exige está espalhado entre a cabeça das pessoas e um PDF.
Usuários: responsável técnico.
- material, recipiente, volume mínimo e estabilidade
- preparo: jejum, horário, restrições
- campos clínicos obrigatórios
- incompatibilidades entre exames
- destino e requisito do apoio quando terceirizado
Dados: exame × recipiente, regras de preparo.
Mapa de coleta
MVPProblema: a tradução de exames em tubos é feita de cabeça.
Usuários: coletador, triagem.
- cálculo de tubos, ordem e volume a partir do pedido
- agrupamento de exames compatíveis
- aplicação do requisito do apoio
- exibição na tela do box
Dados: mapa calculado, vinculado ao atendimento.
Identificação e etiquetas
MVPProblema: etiqueta em lote e conferência declarada em vez de verificada.
Usuários: coletador.
- conferência ativa obrigatória antes de liberar a coleta
- impressão no box dos tubos exatos do mapa
- leitura de código para confirmar
- reimpressão rastreada
Dados: evento de identificação, etiqueta emitida.
Sala de coleta
MVPProblema: a fila e o box não têm visão operacional.
Usuários: coletador, gestor da unidade.
- fila com prioridade por jejum, urgência e prioridade legal
- painel do dia por box e por coletador
- registro do ato com intercorrência e coleta difícil
- checklist de abertura
Dados: fila, atendimento de coleta, evento do ato.
Amostras e rastreabilidade
MVPProblema: não se sabe onde a amostra está nem por onde passou.
Usuários: todos.
- estados e trilha append-only
- busca por paciente, senha ou código
- localização física em rack e organizador
- alerta de amostra parada além do prazo
Dados: amostra, evento de amostra.
Processamento e aliquotagem
V1Problema: centrifugação e fracionamento sem parâmetro nem vínculo registrados.
Usuários: triagem, área técnica.
- registro do programa de centrifugação
- geração de alíquota com vínculo pai-filho e etiqueta
- cálculo do volume por destino
- soroteca com posição e retenção
Dados: amostra com pai, organizador, descarte.
Triagem e não conformidades
V1Problema: aceitar ou rejeitar sem critério registrado e sem o terceiro desfecho.
Usuários: triagem, qualidade.
- critério de aceitação por exame
- três desfechos, com ressalva vinculada ao laudo
- múltiplos motivos por amostra
- comunicação imediata da rejeição
Dados: motivo de rejeição N:N com a amostra.
Recoleta e qualidade
V1Problema: a recoleta é contada sem causa e a ação corretiva não é verificada.
Usuários: qualidade, gestor.
- ciclo da recoleta com causa e origem
- indicadores com denominador, estratificados
- ação corretiva com verificação de eficácia
- painel em três blocos
Dados: recoleta, indicador, ocorrência.
Coleta fora da unidade
FuturoProblema: domiciliar e beira de leito perdem tela, impressora e supervisão.
Usuários: coletador externo, logística.
- agenda e roteirização
- kit derivado do mapa
- aplicativo com conferência e impressão móvel
- registro de hora e local; cadeia de custódia quando exigida
Dados: rota, atendimento externo, custódia.
03As quinze telas
Cada uma com propósito e com o alerta que a distingue de uma listagem genérica.
| Tela | Propósito | O alerta que ela precisa ter |
|---|---|---|
| Painel de coleta do dia | visão do movimento por posto, box e coletador | alerta de fila acima do limite e de paciente em jejum esperando |
| Fila de pacientes | quem está esperando e em que ordem, com o motivo da prioridade visível | destaque para exames com horário e para prioridade legal |
| Atendimento do paciente | o pedido, o preparo declarado e as pendências antes de chamar | bloqueio quando falta campo clínico obrigatório |
| Mapa de coleta | os tubos, na ordem, com volume e destino | aviso quando um exame exige requisito de apoio diferente |
| Tela do coletador no box | conferência ativa, mapa e botão de imprimir | não permite concluir sem a conferência e a leitura da etiqueta |
| Registro de coleta difícil | intercorrência, número de tentativas e observação | sugere encaminhamento ao atingir o limite de tentativas |
| Conferência de tubos | leitura dos tubos coletados contra o mapa | aponta tubo faltante ou tubo a mais |
| Gestão de amostras | busca, estado, trilha e localização física | destaque para amostra parada além do prazo de estabilidade |
| Aliquotagem | fracionamento guiado, com destinos e volumes | impede alíquota sem destino definido |
| Triagem | critério de aceitação com os três desfechos | motivo padronizado obrigatório na rejeição |
| Não conformidades | registro, causa, origem e tratamento | vincula a ocorrência à amostra, ao coletador e ao posto |
| Recoletas | fila de recoletas pendentes com causa e contato | ordena por tempo desde a detecção |
| Dashboard de qualidade | os indicadores em três blocos, estratificáveis | compara períodos e destaca desvio do padrão |
| Cadastro de recipientes | tubos com aditivo, volume nominal e ordem | impede excluir recipiente em uso |
| Regras de coleta por exame | material, recipiente, volume, preparo e incompatibilidades | simula o mapa a partir de um conjunto de exames |
04Cadastros mestres
A base de tudo. A regra que vale para todos: entidade com identidade própria, nunca texto livre, e sem exclusão física — inativar em vez de apagar, para que o histórico continue resolvendo.
| Entidade | O que representa | Campos principais | Quem consome |
|---|---|---|---|
| Tipo de material | sangue, urina, fezes, swab, líquido | nome, estabilidade padrão, condição de conservação | mapa de coleta, triagem, roteamento |
| Tipo de recipiente | o tubo ou frasco, pelo aditivo | aditivo, volume nominal, ordem de coleta, material resultante, fabricante | mapa de coleta, ordem, etiqueta, estoque |
| Exame | o item solicitável | material, recipiente, volume mínimo, preparo, estabilidade, destino, campos obrigatórios | praticamente todos os módulos |
| Regra de incompatibilidade | pares de exames que não compartilham amostra | exame A, exame B, motivo | agrupamento no mapa de coleta |
| Setor e destino | para onde a amostra vai | nome, tipo, unidade | roteamento e transporte interno |
| Motivo de rejeição | por que uma amostra não foi aceita | nome, categoria, exige recoleta | triagem, indicadores, Pareto |
| Motivo de recoleta | a causa atribuída | nome, origem (coleta, transporte, processamento, paciente) | ciclo da recoleta e ação corretiva |
| Instrução ao paciente | o texto de preparo | exame, texto, canal | orientação derivada do pedido |
| Posto e box | onde se coleta | unidade, capacidade, horário | fila, painel, indicadores por posto |
| Coletador | quem coleta | vínculo, habilitação, posto | registro do ato e estratificação de indicadores |
| Organizador | rack, gaveta ou freezer | linhas, colunas, condição térmica | localização física e soroteca |
Guarde: o cadastro que mais falta em sistemas reais é o de tipo de recipiente. Ele parece trivial e é o que sustenta três coisas ao mesmo tempo: o agrupamento de exames, a ordem de coleta e a soma de volume. Sem ele, os três viram regra escrita em código ou memória de gente.
05UX da coleta
A sala de coleta é um ambiente hostil a software: o profissional está de luva, com o paciente esperando, em pé, com pressa. Interfaces desenhadas para escritório falham ali.
| Princípio | Boa prática | Má prática |
|---|---|---|
| Operar por leitura | bipar o crachá, o paciente e o tubo; o teclado é exceção | exigir digitação de código com luva na mão |
| Uma decisão por tela | a tela do box mostra o mapa e um botão principal | menu com dezoito opções e o essencial escondido |
| Alerta que interrompe é raro | bloquear só o que é barreira de segurança: identificação e tubo errado | confirmação para tudo — a equipe aprende a clicar sim sem ler |
| Informação contextual | o requisito daquele exame aparece quando ele é relevante | link para um manual em PDF |
| Cor com significado | cor reservada para estado e risco | cor decorativa, que compete com o alerta de verdade |
| Leitura à distância | fonte grande no painel e no mapa, legível em pé | tabela densa pensada para monitor de escritório |
| Prevenção antes de correção | o sistema impede o tubo errado em vez de registrar o erro depois | campo livre para justificar o que não deveria ter acontecido |
| Funcionar offline ou degradado | contingência definida quando o sistema cai | operação que para por completo e volta a etiquetar em lote |
06Onde o Lisya está neste mapa
Como no hub de apoio laboratorial, seria incoerente publicar este material sem dizer em que ponto do próprio mapa o nosso produto está. O levantamento foi feito no código, em setembro de 2026. Aqui o retrato é bem mais favorável do que o do apoio — e o vazio que resta é bem definido.
A leitura honesta deste quadro: o Lisya tem a rastreabilidade e o ciclo físico da amostra bem resolvidos: trilha append-only, estados completos do recebimento ao descarte, aliquotagem com vínculo, motivos de rejeição como cadastro. O que falta é concentrado em um ponto: o recipiente como entidade. Dele dependem o mapa de coleta, a ordem e a soma de volume — os três módulos ausentes. É uma lacuna estreita e de alto retorno, ao contrário do apoio, onde falta a fundação inteira.
Resumo do guia: dez módulos em quatro camadas, quinze telas com o alerta que as define, onze cadastros mestres — sendo o de recipiente o mais decisivo e o mais esquecido — e princípios de interface para um ambiente onde quem opera está de luva e em pé. Para fechar, vale ver tudo isso rodando em casos concretos.
Ver os oito casos práticos →Continue no hub de coleta