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Tabela TUSS: como codificar exames sem glosar

Um código errado transforma um exame já feito em receita perdida. Entenda o que é a TUSS, como codificar direito e quais incompatibilidades mais derrubam o pagamento do convênio.

Equipe Lisya 22 de janeiro de 2026 8 min de leitura

Todo laboratório tem alguém que "sempre soube" qual código usar para cada exame — até essa pessoa sair de férias, o convênio atualizar a tabela ou aparecer um exame novo no portfólio. Nesse dia, o código TUSS errado vira glosa, e a glosa vira receita que você já produziu e não vai receber. Codificar bem não é burocracia: é a diferença entre faturar o que você fez e trabalhar de graça para a operadora.

O que é a Tabela TUSS

A TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) é o padrão de codificação criado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) para nomear, de forma única, todo procedimento, medicamento, material e evento em saúde trocado entre prestador e operadora. Antes da TUSS, cada convênio tinha sua própria tabela de códigos — o mesmo hemograma podia ter cinco números diferentes dependendo de quem pagava. A padronização existe justamente para eliminar essa babel e permitir que o padrão TISS (Troca de Informação em Saúde Suplementar) funcione de ponta a ponta.

Para o laboratório, a parte que mais importa no dia a dia é a Tabela 22 — Terminologia de Procedimentos e Eventos em Saúde, que lista o código de cada exame, e a Tabela 20 — Materiais, que trata dos insumos e materiais que podem (ou precisam) ser cobrados junto. Cada guia TISS que sai do laboratório carrega esses códigos, e é a partir deles que a operadora decide o que paga.

4

tabelas TUSS mais usadas no LIS

procedimentos, materiais, taxas e rol de saúde

~17%

das glosas nascem de código TUSS

ilustrativo — varia por carteira de convênios

2×/ano

frequência típica de atualização

a ANS publica novas versões da terminologia

1 código

por procedimento distinto

um exame composto pode exigir mais de um

TUSS não é o mesmo código em todo lugar

A TUSS é o padrão nacional, mas cada operadora negocia com o laboratório quais códigos estão no contrato e a que preço. Ter o código certo na tabela não garante que ele esteja coberto — é preciso cruzar com o rol contratado daquele convênio específico.

Como codificar um exame corretamente

Codificação não é digitar um número — é um processo de conferência em camadas. Pular uma etapa é exatamente onde a glosa nasce.

As quatro conferências que evitam erro

  1. Identifique o procedimento exato. Exames com nomes parecidos podem ter códigos TUSS distintos (ex.: glicemia de jejum × curva glicêmica × glicemia pós-prandial). Codificar pelo nome popular do pedido médico, sem checar a descrição oficial da terminologia, é o erro mais comum.
  2. Confirme se o exame é simples ou composto. Um painel (ex.: perfil lipídico, hemograma completo) pode ter um código único de painel ou exigir a soma de códigos individuais — depende de como a operadora estruturou o contrato.
  3. Cruze com o rol contratado da operadora. O código pode existir na TUSS e mesmo assim não constar no contrato daquele convênio, ou constar com regra de autorização prévia.
  4. Valide a compatibilidade com material e quantidade. Alguns procedimentos só são aceitos com determinado tipo de amostra, ou têm limite de frequência (ex.: uma vez a cada 90 dias) — enviar fora da regra é glosa certa mesmo com o código perfeito.

Um ponto que passa despercebido em laboratórios que ainda codificam "de cabeça": a Tabela TUSS muda. A ANS publica atualizações periódicas — inclusões, descontinuações e mudanças de descrição. Um código correto há um ano pode estar obsoleto hoje, e a operadora vai glosar sem aviso prévio se o laboratório não acompanhar a versão vigente.

Código "quase certo" também glosa

Não existe meio-termo em codificação TUSS. Um código de exame parecido, mas tecnicamente diferente do que foi executado, glosa exatamente como um código totalmente errado — e ainda pode gerar suspeita de fraude em auditorias mais rigorosas.

Materiais, taxas e as incompatibilidades que mais glosam

Boa parte da confusão em faturamento laboratorial não está no código do exame em si, mas no que é cobrado junto dele: material de coleta, taxa de coleta domiciliar, taxa de urgência, embalagem especial. Cada um desses itens tem seu próprio código na Tabela 20 (Materiais) ou na tabela de taxas e honorários, e a operadora só aceita a combinação se ela fizer sentido clínico e contratual.

As incompatibilidades mais frequentes seguem um padrão bem definido — e conhecer esse padrão é o que separa um laboratório que glosa pouco de um que glosa recorrentemente pelo mesmo motivo:

  • Material incompatível com o procedimento. Cobrar tubo de coleta a vácuo com anticoagulante para um exame que exige soro (sem anticoagulante), ou vice-versa — a operadora valida essa coerência automaticamente.
  • Taxa cobrada sem previsão contratual. Taxa de coleta domiciliar ou de urgência lançada quando o contrato daquela operadora já inclui esse custo no valor do procedimento.
  • Duplicidade de cobrança. Material que já está embutido no pacote/painel sendo lançado de novo como item avulso.
  • Quantidade incompatível. Mais de uma unidade de um material que só é aceito em quantidade única por atendimento.
  • Código de material descontinuado. Assim como os procedimentos, a Tabela 20 também é atualizada — usar um código de material que saiu da versão vigente barra o pagamento.

O gráfico a seguir mostra como essas causas costumam se distribuir dentro do universo específico de glosas por código/material — um recorte diferente (e mais granular) da causa "código TUSS" que aparece nas análises gerais de glosa.

Causas de glosa por código e material

Participação de cada motivo dentro do universo de glosas relacionadas a código TUSS e material. Faixas ilustrativas — cada laboratório calibra conforme seu histórico de retorno.

Código de exame errado34%Material incompatível26%Taxa sem previsão contratual19%Duplicidade de item12%Código descontinuado9%

Fonte: Faixas ilustrativas; cada laboratório calibra conforme seu histórico de retorno das operadoras.

A glosa por código raramente é sobre o exame que você fez errado. É sobre a informação que você mandou errada para descrever o que fez certo.

De onde nasce o erro de codificação (e onde barrar)

Assim como a maioria das glosas administrativas, o erro de código raramente nasce no faturamento — ele nasce lá atrás, no cadastro do pedido, e só é descoberto quando já é tarde demais para corrigir sem retrabalho. Mapear em que ponto do fluxo cada verificação deveria acontecer é o que transforma "corrigir glosa" em "prevenir glosa".

Onde cada checagem de código deveria acontecer

1

Cadastro do exame

Código TUSS vinculado ao exame no catálogo do laboratório, não digitado manualmente por atendimento.

2

Pedido médico

Nome do exame do pedido é conferido contra a descrição oficial da terminologia.

3

Coleta

Material coletado é compatível com o código do exame associado.

4

Faturamento

Código e material cruzados contra o rol contratado daquela operadora específica.

5

Pré-envio

Validação automática do XML barra incompatibilidade antes do lote sair.

Repare que a etapa mais barata de corrigir é a primeira: o cadastro do exame. Se o código TUSS certo já está amarrado ao exame no catálogo do laboratório — e não depende de alguém lembrar ou digitar na hora —, a maior parte do risco desaparece antes mesmo de o paciente chegar.

Codificação manual × codificação assistida pelo sistema

A diferença prática entre um laboratório que glosa por código com frequência e um que raramente glosa por esse motivo quase sempre está aqui: quem decide o código na hora do atendimento, uma pessoa ou o sistema.

Codificar de memória × codificar com catálogo integrado

Codificação manual

  • Depende de quem está no balcão saber o código de cabeça
  • Tabela desatualizada circulando impressa ou em planilha
  • Material e taxa lançados por hábito, não por regra
  • Erro só aparece 30 dias depois, no demonstrativo

Catálogo integrado ao pedido

  • + Código TUSS vinculado ao exame no cadastro, não digitado
  • + Tabela sincronizada com a versão vigente da ANS
  • + Regras de material e taxa por contrato, aplicadas automaticamente
  • + Incompatibilidade barrada antes do envio do lote

O papel do LIS na codificação

Um LIS bem configurado amarra o código TUSS ao cadastro do exame — e não à digitação manual de quem está na recepção. Quando o exame muda de nome popular, o código não muda; quando a ANS atualiza a tabela, você atualiza uma vez no catálogo, não em cada atendimento futuro.

Checklist prático de codificação sem glosa

Antes de fechar o lote de faturamento, vale rodar esta conferência — idealmente automatizada, mas funciona também como rotina manual em laboratórios menores:

  • Código TUSS do exame confere com a descrição oficial da Tabela 22 vigente, não com o nome popular do pedido.
  • Exame composto/painel usa o código correto de painel, ou a soma de códigos individuais conforme o contrato daquela operadora.
  • Material e taxa lançados são compatíveis com o procedimento e previstos no contrato — nada de taxa "por costume".
  • Quantidade e frequência do exame respeitam o limite contratual (ex.: periodicidade mínima entre repetições).
  • Tabela TUSS usada no sistema está na versão vigente publicada pela ANS, sem códigos descontinuados.
  • Cruzamento automático contra o rol de procedimentos contratado com aquela operadora específica antes do envio.

Tabelas TUSS mais relevantes para o laboratório

TabelaConteúdoOnde impacta o laboratório
Tabela 18Tabela de domínio de tipo de tabelaReferência estrutural do padrão TISS/TUSS
Tabela 20MateriaisInsumos, tubos e itens cobrados junto ao exame
Tabela 22Procedimentos e eventos em saúdeCódigo de cada exame — a mais usada no dia a dia
Tabela 87Taxas, aluguéis e diáriasTaxa de coleta, urgência e itens correlatos
Rol ANSProcedimentos de cobertura obrigatóriaDefine o que a operadora é obrigada a cobrir no plano
Fonte: ANS — Padrão TISS, componente de conteúdo e comunicação (tabelas de domínio).

Perguntas frequentes sobre codificação TUSS

TUSS e TISS são a mesma coisa?+

Não. A TUSS é a terminologia — o conjunto de códigos e nomenclaturas padronizadas. O TISS é o padrão de troca eletrônica de informação que usa essa terminologia dentro dos arquivos XML enviados às operadoras. Um é o "dicionário", o outro é o "protocolo de comunicação".

Onde encontro a Tabela TUSS oficial e atualizada?+

A tabela é publicada e mantida pela ANS, geralmente disponibilizada em formato de download nas páginas do padrão TISS. É essa versão vigente que precisa estar carregada no seu sistema de faturamento — usar uma tabela desatualizada é fonte comum de glosa.

O mesmo exame pode ter código TUSS diferente em convênios diferentes?+

O código TUSS em si é nacional e único para aquele procedimento. O que muda entre operadoras é se o código está no rol contratado, a que preço, e com quais regras de autorização ou frequência — não o número do código.

Quem deve ser responsável por manter a codificação atualizada no laboratório?+

O ideal é centralizar essa responsabilidade em quem mantém o catálogo de exames do sistema (geralmente gestão da qualidade ou faturamento), e não deixar a cargo de quem atende no balcão. Codificação correta é dado de cadastro, não decisão do dia a dia.

Codificar bem não é sobre decorar números — é sobre transformar o código certo em consequência automática do cadastro do exame, não em um julgamento que alguém faz na hora do atendimento. Quando o catálogo do laboratório carrega o código TUSS certo, a tabela vigente e as regras de material por contrato, a glosa por codificação deixa de ser um risco recorrente e vira, praticamente, um problema resolvido.

Fontes e referências

  1. 1.ANS — Padrão TISS (Troca de Informação em Saúde Suplementar). https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/prestadores/padrao-tiss
  2. 2.ANS — Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS). https://www.gov.br/ans
  3. 3.ANS — Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/consumidor/planos-de-saude/rol-de-procedimentos-e-eventos-em-saude
  4. 4.SBPC/ML — Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC). https://www.sbpc.org.br
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