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PALC 2025: guia prático de implantação da acreditação no seu laboratório

O que muda na nova versão do Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos da SBPC/ML e um roteiro realista para chegar ao certificado sem paralisar a operação.

Equipe Lisya 02 de junho de 2026 6 min de leitura

Acreditar um laboratório clínico deixou de ser diferencial de rede grande. Com a nova versão do PALC 2025, a SBPC/ML aproximou ainda mais o programa brasileiro da ISO 15189, e o certificado virou linguagem comum na hora de negociar com operadoras, ganhar licitações e provar competência técnica ao médico solicitante. A boa notícia: com processo bem desenhado e um sistema que registra o que você já faz, a implantação é mais viável do que parece.

O que é o PALC e por que ele importa

O PALC (Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos) é o programa da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) que avalia a competência técnica e o sistema de gestão da qualidade de um laboratório. Diferente de uma simples licença sanitária — que é obrigatória e verifica requisitos mínimos —, a acreditação é voluntária e atesta um patamar de excelência auditado por pares.

A norma organiza os requisitos ao longo de todo o ciclo do exame, dividido nas três fases clássicas: pré-analítica, analítica e pós-analítica. A lógica é simples: a qualidade do resultado não nasce no equipamento, ela começa no preparo do paciente e só termina quando o laudo correto chega a quem decide a conduta.

10

categorias de requisitos

da organização ao laudo

3

fases do processo

pré, analítica, pós

2 anos

ciclo de acreditação

com supervisão anual

< 5%

meta típica de não conformidade

em indicadores-chave

O que muda na versão 2025

A revisão de 2025 consolida uma tendência que já vinha das edições anteriores: aproximar o PALC da estrutura da ISO 15189:2022. Na prática, três movimentos merecem atenção do gestor.

  • Gestão de risco no centro. Deixou de bastar ter um procedimento; é preciso demonstrar que os riscos do processo foram identificados, avaliados e mitigados — inclusive os riscos à imparcialidade e à segurança do paciente.
  • Foco em resultados, não só em documentos. Auditores valorizam evidência de que o indicador é medido, analisado e gera ação corretiva — não a mera existência do POP na gaveta.
  • Competência auditada de ponta a ponta. Da coleta à liberação, cada pessoa precisa ter treinamento registrado e competência avaliada para a atividade que executa.

Acreditação não é licença

A licença sanitária (regida pela RDC ANVISA vigente) é obrigatória para operar. O PALC é voluntário e complementar: ele não substitui a licença, mas frequentemente cobre — e supera — os requisitos dela.

As 10 categorias que o auditor vai olhar

Conhecer o mapa antes de começar economiza meses. As categorias do PALC cobrem desde a estrutura organizacional até a emissão do laudo. Veja a estrutura e o que cada bloco cobra na prática:

Categorias do PALC e o que cada uma exige

CategoriaO que o auditor procura
Organização geralEstrutura, responsabilidades definidas, responsável técnico ativo
Segurança e biossegurançaPGRSS, EPIs, gestão de resíduos, NR-32 aplicada
Gestão da qualidadeIndicadores medidos, não conformidades tratadas, auditorias internas
DocumentaçãoPOPs controlados, versionados e acessíveis no posto de trabalho
Atendimento ao clienteCadastro correto, orientação de preparo, pesquisa de satisfação
Equipamentos e reagentesCalibração, manutenção, rastreabilidade de lote e validade
Controle de qualidade analíticoCQ interno diário e ensaio de proficiência (CQ externo)
Laboratório de apoioCritérios de terceirização e rastreabilidade do exame enviado
Sistema de informação (LIS)Segurança de dados, trilha de auditoria, backup, LGPD
LaudosConteúdo mínimo, valores de referência, liberação assinada
Fonte: Estrutura geral do PALC (SBPC/ML) — consulte a norma vigente para os itens detalhados.

Os indicadores que você vai precisar medir

Talvez o ponto onde mais laboratórios travam. Acreditar exige medir a própria operação — e a maioria dos indicadores exigidos vive na fase pré-analítica, justamente a de maior risco. O gráfico abaixo mostra a distribuição típica das não conformidades laboratoriais por fase, e por que o pré-analítico merece atenção desproporcional.

Onde nascem os erros laboratoriais

Distribuição típica das não conformidades ao longo do ciclo do exame. A fase pré-analítica concentra a maior parte.

3categorias
  • Pré-analítica62%62%
  • Analítica15%15%
  • Pós-analítica23%23%

Fonte: Faixas consolidadas da literatura de medicina laboratorial (Plebani et al. e revisões correlatas).

Na prática, o gestor precisa acompanhar mensalmente um painel enxuto, mas consistente. Um bom ponto de partida:

Indicadores essenciais e metas de referência

Percentual sobre o total do período. Metas conservadoras para começar; aperte à medida que o processo amadurece.

Recoleta1,5%Amostra rejeitada1%Recadastro por erro0,5%Laudo revisado0,8%Atraso de entrega3%

Fonte: Metas ilustrativas — cada laboratório calibra conforme complexidade e histórico.

Comece a medir antes de decidir acreditar

Ligue a coleta de indicadores 3 a 6 meses antes da auditoria. Você chega com série histórica, tendência e ações corretivas registradas — exatamente o que o auditor quer ver.

Roteiro de implantação em 6 fases

Acreditação não se faz num fim de semana, mas também não precisa virar um projeto de dois anos que paralisa a operação. Um cronograma realista para um laboratório de pequeno/médio porte costuma caber em 8 a 14 meses, dividido assim:

As 6 fases da jornada de acreditação

1

Diagnóstico

Gap analysis contra a norma; onde você já cumpre e onde falta.

2

Documentação

POPs, manual da qualidade e registros essenciais.

3

Treinamento

Equipe capacitada e competência avaliada e registrada.

4

Indicadores

Painel rodando com série histórica de 3–6 meses.

5

Auditoria interna

Simulação da auditoria; trate não conformidades.

6

Auditoria externa

Visita da SBPC/ML e concessão do certificado.

Onde o sistema (LIS) faz a diferença

A parte mais cara da acreditação é a evidência: provar, com registro, que o processo aconteceo como o POP descreve. É aqui que um LIS moderno deixa de ser custo e vira alavanca. Em vez de planilhas soltas e papel na gaveta, o próprio sistema registra a cadeia de custódia da amostra, a trilha de quem fez cada liberação, o CQ diário e os indicadores — automaticamente.

Auditoria com papel × auditoria com LIS

Na base do papel e planilha

  • Indicador calculado à mão no fim do mês
  • Rastreabilidade depende da memória da equipe
  • POP desatualizado circulando em cópias
  • Horas garimpando evidência antes da visita

Com um LIS que registra o processo

  • + Indicadores atualizados em tempo real
  • + Trilha de auditoria automática por amostra
  • + Documento controlado e versionado no sistema
  • + Evidência a um clique na hora da auditoria

A acreditação não pede que você trabalhe mais. Pede que você prove como trabalha — e isso é problema de registro, não de esforço.

Erros comuns que atrasam a certificação

  • Documentar o mundo ideal, operar outro. POP lindo que ninguém segue é não conformidade na hora. Documente o que você realmente faz, depois melhore.
  • Deixar indicador para a última hora. Sem série histórica, não há como demonstrar melhoria contínua.
  • Tratar o CQ externo como formalidade. O ensaio de proficiência é evidência direta de competência analítica; leve a sério.
  • Esquecer a fase pré-analítica. É onde estão a maioria dos erros e, ainda assim, a mais negligenciada nos projetos.
PALC substitui a licença da ANVISA?+

Não. A licença sanitária é obrigatória para funcionar; o PALC é voluntário e complementar. Na prática, quem cumpre o PALC costuma cobrir com folga os requisitos da RDC vigente.

Qual a diferença entre PALC e ISO 15189?+

A ISO 15189 é a norma internacional para laboratórios clínicos; o PALC é o programa brasileiro da SBPC/ML, fortemente alinhado a ela. Muitos laboratórios usam o PALC como caminho para depois buscar a ISO.

Quanto tempo leva para acreditar?+

Depende do ponto de partida, mas um laboratório de pequeno/médio porte com processo organizado costuma levar de 8 a 14 meses, sendo a coleta de indicadores o item de maior prazo mínimo.

Preciso de um sistema para acreditar?+

Não é obrigatório por norma, mas é altamente recomendável. Praticamente todos os requisitos de rastreabilidade, indicadores, trilha de auditoria e segurança de dados são muito mais fáceis — e confiáveis — com um LIS que registra o processo automaticamente.

Acreditar é, no fundo, transformar a qualidade que já existe na cabeça da sua equipe em processo registrado e auditável. O certificado é a consequência — o ganho real é uma operação que erra menos, retrabalha menos e negocia melhor. E quanto mais o seu sistema registrar sozinho, menos a acreditação vai pesar no dia a dia de quem opera.

Fontes e referências

  1. 1.SBPC/ML — Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC). https://www.sbpc.org.br
  2. 2.ISO 15189:2022 — Medical laboratories: requirements for quality and competence. https://www.iso.org/standard/76677.html
  3. 3.Plebani M. The detection and prevention of errors in laboratory medicine. Ann Clin Biochem. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19952034/
  4. 4.ANVISA — Requisitos de boas práticas para laboratórios clínicos (RDC vigente). https://www.gov.br/anvisa
#PALC#acreditação#ISO 15189#gestão da qualidade#SBPC/ML

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